Eu critico o uso indevido da verba pública pelo vereador, mas não devolvo o troco que eventualmente, por engano do caixa, recebo a mais na padaria da esquina. Prego maior rigor das autoridades na punição aos transgressores, mas não aviso o rapaz que transitava na rua, na minha frente, que sua carteira caiu no chão e, ainda por cima, pego o dinheiro de dentro dela. Pinto o rosto contra a corrupção na licitação da Petrobras, mas abro mão da nota fiscal para que o produto que compro fique mais barato. Não suporto mais ver notícias sobre a falta de repasses de verbas para a saúde, mas não pago a minha contribuição para a Previdência Social. Sou contra o superfaturamento das contas do deputado, mas peço para o taxista aumentar o valor do recibo pela prestação do serviço para um maior reembolso. Não me critiquem, por favor, afinal de contas eu amo vocês como se os odiasse.
Moral de cuecas
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