Eu sou do tempo das louças de vidro âmbar da Duralex e pronto! Aquilo não eram apenas pratos. Eram parte do nosso cotidiano, sem pose e sem frescura.
Não eram os de visita, reconheço, pois esses eram quase sagrados. Mas também não eram qualquer coisa. Tinham uma dignidade inerente, uma luz própria. Eram representativos daquele período difícil que foi o fim dos anos oitenta e início dos anos noventa.
E não era pouca coisa. Fabricadas na França com vidro temperado, eles eram conhecidos por serem inquebráveis. O tom marrom dourado trazia uma característica muito peculiar à mesa. Lembro como se fosse hoje.
E havia as marcas do tempo também. Riscos finos, quase mapas, desenhados pelo uso. Muito apanhei por riscar com os talheres o vidro do prato. Coisa de guri. Quando não caía um: era um susto que atravessava a casa inteira. Uma barulheira e muitos cacos.
Se eu fechar os olhos agora, ainda consigo ver um deles na minha frente. Não com comida, mas com tempo servido. Um tempo que não volta mais.
Salvo no restaurante, de quinta categoria, aqui da esquina de casa. Vou sempre lá. Sigo firme com o prato Duralex âmbar.
