
Quando que iriamos imaginar que uma conversa inteira caberia numa simples “figurinha”. Sim, não é exagero, e coloquei entre aspas de propósito: a criatividade nas redes sociais precisa ser ressaltada, é um fenômeno biopsicossocial.
Lembro que tudo começou com a pandemia. Foram tempos de criatividade humana descomunal nas redes sociais. Lembram? Dava para reconhecer o ócio como vencedor. Um estado de espírito. Uma taquigrafia emocional do nosso tempo.
Nunca tivemos tantas ferramentas para nos expressar — textos, áudios, vídeos, chamadas — e, ainda assim, escolhemos uma imagem repetida e muitas vezes fora de contexto, para dizer aquilo que sentimos.
Tem figurinha para tudo: para fugir do assunto, para encerrar conversa, para pedir desculpa sem pedir. Tem a Dilma, o Mussum, o Seu Madruga, John Travolta. É praticamente uma nova gramática que nos poupam do excesso de explicação.
Num mundo em que se fala demais, quando se diz menos e lúdico, acaba-se dizendo tudo.