Quem escapa a um perigo ama a vida com mais intensidade. Disso acredito não haja dúvidas: trata-se de um sentimento inerente ao ser humano, e, quem sabe, até dos animais. É por isso que a imagem de uma criança de três anos, refugiada síria, esta semana noticiada com exaustão pela mídia, mexeu com todos. Ver a criança morta na beira da praia, vencida pelo grande desafio que a vida lhe impôs, mais do que um choque, nos trouxe sentimento de salvação, pois nossos filhos, no exato momento em que estávamos lendo o jornal, estavam em suas escolas, ou em suas casas, seguros. Não morreram afogados, após brava luta, que resultou na mão da criança soltando a do seu pai. Uma pena que a preocupação a nós trazida por esse fato seja tão efêmera, pois no final acabamos retornando ao nosso confortável estado de origem egoísta, individualista e preconceituoso. E é justamente por isso que tenho cá para mim que o grande desafio dos próximos anos será a solidariedade. Um maior equilíbrio entre capital e solidarismo. Sou um mero ser humano, fraco como todos vocês, mas desconfio por completo de todo sentimento de piedade que o fato da criancinha da Síria gerou na opinião internacional. Prefiro acreditar na minha obrigação de pai, que permite insistir, perante meus pequenos, nos valores e no exemplo da humildade, cumplicidade, da aceitação, da ajuda e do amor. Nos valores do ser humano. Mesmo que saiba que essa minha obrigação não seja de fim, mas sim de meio. De não falhar nos pequenos encaminhamentos que a vida nos exige na condição de pais.
A importância da educação
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