
Conheci um casal completamente diferente. E preciso contar esta história. Eles se conheceram na faculdade e ambos gostavam muito de ler. Viviam no mundo das nuvens. Tornaram-se um casal desde então nunca mais conseguiram separar literatura do sexo.
A cama deles vivia cheias de livros. Tinha de tudo: biografia, literatura latino-americana, Paulo Francis, Sidney Sheldon, em meio as cobertas e os lençóis.
O primeiro beijo aconteceu em cima de A Montanha Mágica. Machucou um pouco a nuca dele. Tudo por causa da relação de poder envolvida no romance.
Entre gemidos e lombadas aparece O Estrangeiro. Um movimento em falso e caiu Orgulho e Preconceito para o chão. Mas nenhum lençol competia com Madame Bovary entre as coxas ou O Amor nos Tempos do Cólera preso sob o travesseiro.
As vezes havia noites em que tudo terminava num silêncio respeitoso, quase religioso, com os dois deitados lendo. A maior parte do tempo, exaustos, folheando, dormindo.