
Esses dias estava lembrando do papel de carta. Impressionante o quanto marcou época. Era um verdadeiro fenômeno cultural, especialmente para as gerações que viveram as décadas de 1980 e 1990.
Meninas e adolescentes mantinham pastas plásticas cheias de modelos. O grande objetivo era colecionar e, principalmente, trocar os repetidos com as amigas na hora do recreio. Tinha Hello Kitty, Turma da Mônica, ursinhos do Amor Perfeito. E havia uma hierarquia de valor.
Papéis importados, com purpurina, relevo, texturizados ou com cheirinho eram os mais valiosos e difíceis de conseguir. Os com corte especial ou formato de bichinhos também eram disputados.
A febre foi tanta que os meninos também entraram na brincadeira e no pátio do colégio a negociação era intensa. Também modelos com ilustrações de carros de Fórmula 1, Garfield, Zé Carioca, Pato Donald.
Os meninos usavam seus papéis de super-heróis ou carros para conseguir aqueles modelos raros, com cheirinho ou importados, que as meninas cobiçavam. No fim das contas, a febre era tão grande que ninguém queria ficar de fora do ritual de ter um fichário ou uma pasta cheia de relíquias para exibir no recreio.
Quem diria que, passado um par de décadas, a carta viraria mensagem, o papel desmaterializaria e a caneta virou um teclado.