Na América do Sul o futuro é o passado. As décadas avançam, promessas são feitas, engrenamos na prosperidade, mas, ao final, sempre confirmamos o fracasso. Às vezes é a Argentina e a Venezuela, noutras o Equador, o Paraguai, o Peru etc. No momento, alguns estão em alta. Logo ali estarão em baixa. Enfim… desta vez temos o Brasil: cinco anos literalmente parado numa crise sem limites, após acreditarmos que éramos o país do futuro. Os motivos são sempre os mesmos em todas as nações da região: irresponsabilidade fiscal, sistemas políticos e administrativos arcaicos, reformas sociais mal feitas e ilegítimas, falta de maturidade e união dos países para discutirem parâmetros de macroeconomia e dívidas públicas, muito governo e pouco estado, baixo senso crítico da população, corrupção. O Brasil volta a ser a casa da mãe Joana e a correr o risco do retrocesso no pouco que avançamos nas últimas décadas. O Mercosul, que no plano político poderia ser um elo importante no continente, não é mais do que uma piada. Galeano morreu, mas as veias seguem abertas na América Latina. Só que, talvez, agora, seja definitivamente a hora de concordarmos que os culpados somos nós mesmos.
Futuro é passado – 26.05.2017
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