
Hoje caminhando pela Livraria Paisagem do Shopping Bourbon Country, aqui em Porto Alegre, me deparei com um estande de livros da Agatha Christie. Eram muitos.
Não apenas pelo calor da temporada, mas no mesmo momento lembrei dos verões quando eu era criança em férias no litoral gaúcho. Isso porque praia, antigamente, era sinônimo de Agatha Christie.
Era leitura para a beira da praia, ou em casa à tarde e à noite. E praia, na época, era bem diferente de atualmente.
Não se ia para a praia para ficar um final de semana, cinco ou sete dias, por exemplo. O mínimo eram quinze dias, e olhe lá, pois tudo era mais difícil. Havia a tal da mudança da quinzena. E para quem tinha casa na praia, os homens voltavam na semana para trabalhar na cidade e as mulheres ficavam no litoral cuidando das crianças. Daí o veraneio muitas vezes se esticava por três meses, algo impensável atualmente.
Mas o mais circunstancial de tudo era que não havia televisão nem telefone. O máximo que tinha era a telefônica, que era uma central onde se pagava por minuto para uma ligação interurbana. Era uma cerimônia telefonar por lá.
As primeiras televisões que apareceram, lembro bem, eram umas pequenas, que vinham do Paraguai e eram compradas no camelódromo, e os canais eram sintonizados num botão giratório. Só pegava um canal, o sete, e olhe lá. As vezes tinha o Atari ou o CCE. Dava briga, pois já tinha novela das sete.
Lembrei de tudo isso e fiquei a pensar sobre como tudo mudou. E o quanto é ousada a tal da estante que encontrei hoje, pois antes de ler Agatha Christie na praia, a concorrência, hoje, é desleal: televisão, internet, streamning, whatsapp, instagram, rivotril, enfim.
Ah, e tem também o Sidney Sheldon.